Glossário

O que é distrato

Abrangência nacional

Por Redação Despachante Imóveis Brasília · Conferido em · 4 fontes

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Resposta rápida

  • Distrato é o acordo pelo qual as próprias partes desfazem um contrato que tinham assinado. É um novo contrato, com o objetivo de encerrar o anterior.
  • O Código Civil exige que o distrato siga a mesma forma exigida para o contrato original (art. 472). Se a lei pedia escritura pública, o distrato também precisa dela.
  • Distrato não é o mesmo que resolução por inadimplemento, nem que desistência unilateral: no distrato, os dois lados concordam.
  • No imóvel comprado do incorporador, a Lei 4.591/1964, art. 67-A, fixa o que pode ser descontado da devolução em caso de distrato ou de resolução.

O conceito

Um contrato nasce do acordo de vontades. Distrato é o caminho de volta: um novo acordo, entre as mesmas partes, para desfazer o contrato anterior. O Código Civil trata do tema no capítulo da extinção dos contratos e dá a ele uma regra só: "o distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato" (art. 472).

Na compra de imóvel, o distrato costuma aparecer antes da escritura definitiva, quando comprador e vendedor desistem da promessa de compra e venda, ou quando o comprador de um imóvel na planta e a incorporadora encerram o contrato.

Distrato e figuras parecidas

FiguraQuem decideBase
DistratoAs duas partes, de comum acordoCódigo Civil, art. 472
Resilição unilateralUma parte, quando a lei ou o contrato permite, por denúncia notificada à outraCódigo Civil, art. 473
Arrependimento com arras penitenciaisUma parte, usando o direito de arrependimento previsto no contrato, com perda ou devolução do sinalCódigo Civil, art. 420
Resolução por inadimplementoA parte prejudicada, porque a outra não cumpriuRegra geral do Código Civil

A palavra "rescisão" é usada no dia a dia para todos esses casos. Tecnicamente, só o primeiro é distrato. A diferença importa porque muda quem paga o quê. O efeito do sinal em cada situação está em sinal e arras na compra de imóvel.

O distrato no imóvel na planta

A Lei 13.786/2018 incluiu na Lei 4.591/1964 o art. 67-A, conhecido como regra do distrato imobiliário. Ele vale para o contrato feito exclusivamente com o incorporador, desfeito por distrato ou por resolução por inadimplemento do comprador. Em linhas gerais:

  • o comprador recebe de volta o que pagou ao incorporador, corrigido pelo índice do contrato;
  • podem ser descontadas a comissão de corretagem e uma pena convencional de até 25% da quantia paga;
  • com patrimônio de afetação, a pena pode chegar a 50%, e a devolução ocorre em até 30 dias depois do habite-se (§5º);
  • o comprador ainda responde por impostos, condomínio e fruição do imóvel no período em que o teve à disposição (§2º);
  • contratos assinados em estande de vendas ou fora da sede do incorporador admitem arrependimento em 7 dias, com devolução integral (§10).

O contexto da compra na planta está em comprar imóvel na planta no DF.

Onde o distrato aparece no DF

  • Na matrícula. Se a promessa foi registrada, o distrato não apaga o registro sozinho. O cancelamento de um ato registrado pode ser feito a requerimento unânime das partes, com firmas reconhecidas, ou com outro documento hábil (Lei 6.015/1973, art. 250).
  • No ITBI. A Receita do DF trata a rescisão como uma natureza de transação própria. Se o imposto já foi pago e o negócio foi desfeito, a devolução depende de pedido de restituição; não há norma do DF que trate expressamente do negócio desfeito, e o caso precisa ser avaliado antes de assinar o distrato. Veja problemas com a guia de ITBI.
  • Na união estável. O distrato de união estável também é registrado, no Livro E do registro civil da última residência dos companheiros (Lei 6.015/1973, art. 94-A).

Erros comuns

  1. Distratar por recibo simples um negócio feito por escritura. A forma do distrato acompanha a do contrato.
  2. Esquecer a matrícula. Promessa registrada e distratada continua aparecendo até o cancelamento.
  3. Chamar tudo de distrato. Se uma parte descumpriu, o caso é de resolução, com consequências diferentes.
  4. Assinar sem conferir o que será devolvido. No imóvel na planta, os limites do art. 67-A valem para o incorporador.

A redação, a negociação e a análise de um distrato são atividades jurídicas. Este procedimento pode exigir atuação de advogado habilitado. A atividade jurídica não integra nossos serviços e deve ser contratada separadamente.

Termos relacionados

Guias para seguir

Quem pode participar deste procedimento?

Cada um atua dentro da própria competência e responde pelo que faz.

Cartório de Registro de Imóveis
Examina o título, faz exigências quando necessário e registra ou averba. A decisão é do registrador.
Você
Fornece documentos, assina o que for pessoal (ou por procuração) e paga as taxas públicas.

Dúvidas frequentes

Qual a diferença entre distrato e rescisão?

No distrato, as duas partes concordam em desfazer o contrato. Rescisão é o termo usado no dia a dia para qualquer desfazimento, inclusive quando uma parte descumpre o contrato e a outra pede o fim dele, o que tecnicamente se chama resolução por inadimplemento.

O distrato de uma compra de imóvel precisa de escritura?

Depende da forma do contrato original. O Código Civil, art. 472, diz que o distrato se faz pela mesma forma exigida para o contrato. Se a lei exigia escritura pública para o negócio, o distrato também a exige.

No distrato de imóvel na planta, a construtora pode ficar com parte do que paguei?

A Lei 4.591/1964, art. 67-A, permite descontar a comissão de corretagem e uma pena convencional de até 25% da quantia paga, ou até 50% quando a incorporação tem patrimônio de afetação, além de despesas ligadas ao período em que o comprador teve o imóvel. As regras detalhadas dependem do contrato e da lei.

Pedido

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Fontes

Normas e fontes oficiais consultadas para este conteúdo. Datas de conferência entre parênteses. Última revisão do texto: .

  1. Código Civil (Lei 10.406/2002), texto compilado · Planalto (26/09/2026)
  2. Lei 4.591/1964 (condomínio e incorporações), texto compilado · Planalto (26/09/2026)
  3. Lei 6.015/1973 (Lei de Registros Públicos), texto compilado · Planalto (26/09/2026)
  4. Material operacional oficial · Receita do DF (26/09/2026)

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